de Profundis

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  Descrição do Produto

Não entendo a poesia de Trakl, mas me deslumbra, e não há nada que me dê melhor a ideia de gênio. Ludwig Wittgenstein   (...) recebi o “Sebastião no Sonho”, do qual muito já li: comovido, estupefato, cheio de pressentimentos e perplexidade pois logo se entende que as circunstâncias desse soar ascendente e ressoar descendente foram irremediavelmente únicas, justamente como as que nascem do sonho. Tenho a sensação de que, mesmo para alguém próximo a Trakl, essas perspectivas e visões só apare cem como se através de vidros, como se excluído delas: pois a experiência de Trakl é como uma sucessão de reflexos e preenche todo o seu espaço, inacessível qual o espaço do espelho. Rainer Maria Rilke Trakl pertence à estirpe dos poetas videntes na que figuram Blake, Hölderlin, Rimbaud, Lautréamont e Artaud. Poetas que penetraram no obscuro do mundo e no obscuro do homem. Aldo Pellegrini Após a batalha de Grodek, na Galícia, 90 feridos graves do exército austríaco são entregues, num celeiro, a os cuidados de um tenente. Mero farmacêutico, quase sem remédios, ele pouco pode fazer. Do lado de fora, desertores são enforcados. Um dos feridos se mata, com um disparo, em sua presença. Ele também tenta o suicídio. Mas só obtém sucesso posteriorme nte, na segunda tentativa. Com uma overdose de cocaína. Idade: 27 anos. Nome: Georg Trakl. Nativo de Salzburgo, ele nascera não na pequena Áustria de hoje, mas no grande império dos Habsburgos. Um império que não se imaginava à beira do colapso. Som ente duas características distinguiram-lhe a vida: as drogas nas quais se viciara e a poesia. Reconhecido por pessoas tão diferentes quanto os filósofos Wittgenstein, que apesar de admirá-lo, dizia não compreendê-lo, e Heidegger, que procurou decifra r sua “ambígua ambiguidade” (sic). Trakl tornou-se, através dos poemas escritos sobretudo nos seus dois últimos anos, o maior dos expressionistas e um poeta de exceção que, estabelecendo o nexo entre a loucura de Hölderlin e o desespero de Celan, tem sido cultuado quase secretamente por um sem-número de leitores devotos. Aos quais, graças ao belo trabalho tradutório de Claudia Cavalcanti, podem juntar-se afinal os brasileiros. Pois, mais do que o vício, é sua poesia que prefigura o próprio e out ros fins. Uma poesia de declínios e ocasos, desintegração e ruínas, decomposição e lindas mortes. Uma poesia orientada para um ocidente-poente (Abendland) que é a terra do entardecer (Abend), onde os animais são azuis e dorme-se um sono branco. Uma p

  Atributos

num_paginas:
117
ano_edicao:
2000
num_edicao:
1
data_lancamento:
01/01/2000
isbn13:
9788585219826
ean:
9788585219826
autor:
TRAKL, GEORG
editora:
ILUMINURAS
encadernacao:
BROCHURA
peso:
0.150
altura:
21.000
largura:
14.000
comprimento:
0.600